Livros e livros

9 05 2007

Esse ano está sendo um bom ano de leitura pra mim. Não que eu esteja lendo obras-primas da literatura universal – ainda não comecei a ler Guerra e Paz, de Tolstói, por exemplo. Mas, que esse ano está sendo um ano em que eu pude dar asas á esse prazer da leitura.

Quando se lê algo agradável, desde que te satisfaça, você não precisa estar lendo algo de peso dramático e literário a nível universal. Você não precisa correr atrás dos livros dos ganhadores do Nobel de Literatura das décadas de 40, 50 ou 60. O que você precisa, sim, é embarcar no ritmo da escrita do autor, na envolvência da história, na trama que ela te proporciona. Acho que esse é o princípio básico da leitura saudável: ler, o que se gosta! Se você tiver que ler o que satisfaz os outros, algo que vá te dar algum prestígio – isso se você encontrar uma rodinha pra colocar todo conhecimento em prática -, você não vai estar lendo pra sí, e sim, pros outros. Pra mim, não vale a pena. Se for pros outros, eu cobro, e vou sentar numa cadeirinha numa estação de trem, e ler cartas dos parentes do sertão pra eles. Fora isso, o livro é pra mim, a viagem é minha. E é com esse propósito que se embarca em uma nova fonte de prazer.

Muitas vezes os livros nos prendem de tal maneira, que uma história de 350 páginas é consumida em dois dias. Esses são livros ágeis, geralmente com um suspense envolvente te mantendo página a página, fazendo perder o sono. Outras vezes, o prazer da leitura está na viagem quase degustativa de páginas de um romance bem escrito, um “Lolita” em sua beleza charmosa. Nessas vezes é que eu encontro as leituras memoráveis. Claro que certas histórias ágeis são tão eletrizantes que você também não esquece. Já outras vezes… são tão rápidas que dias depois você é incapaz de dizer o sobrenome da personagem principal, e o local onde a história se desenvolve. “Fortaleza Digital” me proporcionou tal leitura. Não é um livro ruim, tem uma história boa, eletrizante. Li em dois dias. Porém, 2 outros depois foram suficientes pra eu não me lembrar de detalhes da NSA (Agência de Segurança Americana). O TRANSLTR era impossível de se esquecer – pra um viciado em tecnologia, como eu, isso não era tarefa difícil.

Existem vários tipos de leitores – inclusive os tipos que não lêem. Esses são só alguns exemplos da minha percepção do que pode ser um livro pra uma pessoa. Existem os livros de viagens e aventuras (essas não no sentido de fantasia, ou contos). “A Fantástica Volta ao Mundo” é um livro/diário agradabilíssimo de se ler toda noite, cada noite num lugar, que poderia ser Sydney, Oaxaca, Tasmania, Bangoc, Camboja e os templos de Angkor Wat, até cidades como Bilbao, Londres e Lisboa. Quando uma leitura te prende em páginas de aventuras fictícias, seja em lugares distantes como a Terra-Média de “O Senhor dos Anéis” – que eu li há alguns anos e jamais saiu da minha memória- , ou em galáxias com um mochileiro pra lá de esperto.

Se você pode se dedicar a essa paixão, faça-o. Se ela existir em você, não há nada que impeça, a não ser você próprio, como era o que estava ocorrendo comigo. Foi só depois de uma conversa com uma amiga minha, da Família Cárdenas, é que eu pude perceber o vazio literário que estava se abrindo. Na ocasião, fui questionado a cerca de quais livros bons estava lendo. Gentilmente, após dizer á ela que não me encontrava no melhor perfil de assíduo leitor, fui educadamente repreendido, ouvindo dela uma declaração num misto de espanto com incentivo: “Nossa Thyago, logo você que sempre leu bons livros!”. Não, eu nunca fui um bom leitor, não de verdade. Não até esse dia.

Quanto ao “bons livros”, foi o que eu expliquei acima: ele é sempre bom, desde que seja honestamente bom pra você. E foi assim que recomecei, quando veio o maravilhoso “Lolita”; o bom “Desespero”; o viajante “Fantástica Volta ao Mundo”; o eletrizante “Fortaleza Digital”; o inspirador “Vendedor de Sonhos”; o ágil “Assassinato no Expresso do Oriente”; o decepcionante “Cemitério”; e até então, o melhor de todos “Caçador de Pipas”. Ainda tenho que terminar o “Fio da Navalha”, “Ilha do Dia Anterior” e “Anjos e Demônios”. Nenhuma leitura foi ruim, nem os menos apreciados de Stephen King. O erro do “Cemitério”, está em a história de terror começar somente 30 páginas antes de acabar, depois de ter lido mais de 300.

Enquanto isso, dois ótimos e recomendadíssimos romances turcos estão esperando pra serem comprados: “Neve” e “Istambul”, de Ohran Pamuk.

Ótima leitura á todos vocês!


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