WiMAX agora faz parte do padrão 3G – O que isso significa aqui no Brasil

20 10 2007

Eu cheguei a achar que isso seria o fim de uma promissora tecnologia, com a abrangência do 3G engolindo toda uma gama de possibilidades do tão falado WiMAX. Mas, eu me enganei. E me enganei extrema e positivamente. Com a notícia de que o ITU (International Telecomunications Union), que é uma divisão de telecomunicação dentro da ONU – essa você sabe o que é né? – aprovou como um sub-padrão 3G a tecnologia WiMAX (leia aqui e aqui), o mundo assiste, então, ao fim de um embate longo, extenso e pra muitos países, sem fim, sobre como homologar a tecnologia, e prover faixas de frequências adequadas ao padrão. O Brasil então, iria ficar pra escanteio no que diz respeito a aderência á novos padrões.

Mas, com essa decisão mundialmente importante, a vida de todos está prestes a mudar. Boa parte do mundo já possui serviços de comunicação 3G, que é uma tecnologia que permite conexões sem fio á web de forma rápida, com uma média, hoje, de 1,5 mbits/segundo. Porém, essa é uma conexão que depende da rede de celulares instaladas nas cidades. Já o WiMAX é uma tecnologia economicamente mais viável, além de ter maior alcance e ser mais rápida. Testes comprovam que o WiMAX em condições ideais pode alcançar um raio de até 50km e velocidades de até 75 mbps! Essas velocidades, entretanto, ainda não foram formalmente comprovadas.

Porém, a SAMSUNG realizou testes com um padrão WiMAX que pode entregar ao usuário velocidades reais, e extensivamente testadas, que chegam a 34 mbps pra download e 8 mbps de upload. O melhor de tudo: no padrão móvel. Isso porque, como alguns sabem, não basta ser sem fio, tem que ter mobilidade. Conexões wifi, por exemplo, permitem que você se conecte sem fio, onde quer que haja sinal, porém, você precisa estar parado para recebê-lo. Já o padrão 802.16e (versão móvel do WiMAX), futuramente, possibilitará que você se conecte á partir do seu carro, em movimento!

Agora, queridos leitores, possivelmente o Brasil se encotrará, caso nada dê errado, o que é de costume, num patamar de vanguarda tecnologica, podendo aderir ao padrão em questão já no próximo ano. Isso porque, sim, depois de muitos atrasos e adiamentos, em novembro a ANATEL irá leiloar as frequências de 3G. Operadoras como a Claro já possuem suas redes de 3G devidamente montadas, embora ainda seja um segredo industrial a real localidade de tais redes, esperando justamente o leilão da ANATEL pra ligar e oferecer o serviço aos usuários. Sendo assim, caso não seja só a Claro a esperta operadora á ter tudo montado, o Brasil já terá 3G á partir do ano que vem. A Vivo opera, como eles gostam de anunciar, um serviço que eles chamam de 3G, em seletas localidades, justamente por utilizarem antenas de redes antigas adaptadas para o serviço, que não é o 3G oficial.

Com esse leilão da ANATEL, uma longa etapa, caso a agência não queira colocar entraves, será pulada. Afinal, anteriormente seriam 2 leilões para duas tecnologias competitivas entre si. Com a decisão da agência da ONU, as tecnologias se unificaram, porém não totalmente. O que houve foi o fato de o WiMAX ter sido abençoado pelas graças já concedidas ao 3G, que já uma realidade, como disse, lá fora. Isso possibilitará, aos donos de frequências de terceira geração (3G) que, assim que quiserem, instalem comercialmente seus serviços de internet de longo alcance, desvinculado ás suas caras redes de celular. Essa é uma das vantagens competitivas do padrão 802.16. Um centro urbano com caracterísicas geofísicas favoráveis e de dimensões medianas poderia ser conectado com uma só antena.

A outra vantagem econômica, que a torna, não infinitamente mais barata, mas, de uma diferença brutalmente inferior, é o fato de não possuir distribuição física de suas conexões, obviamente por se tratar de tecnologia sem fio. Esse é um dos motes que governos como o do Brasil e outros países em desenvolvimento levam á debates quando o assunto é inclusão digital. Por ter um custo de implantação inferior ao 3G, que, pelo fato de usar rede celular requer, naturalmente, que haja uma base de assinantes instalada na localidade, e não ter massivos custos de conexão comparados á tecnologias como ADSL, que depende da rede física de telefonia, o WiMAX desponta como a melhor relação custo x benefício para os implantadores e para os consumidores. Além disso, é a única forma de conexão hoje que possibilitaria alcançar tais taxas de velocidade.

No Brasil, além de ser uma tecnologia claramente inclusiva, nos permitiria avanços nas comunicações até então imaginados só para países como Japão e Coréia do Sul. Com a chegada da TV Digital, já marcada para 2 de dezembro próximo, muita coisa mudará na forma como o cidadão comum se relaciona com o meio digital. Claro que isso não acontecerá de imediato em dezembro, nem quando um cidadão comum comprar uma caixa conversora de sinal pra usar num televisor velho. Alguma tecnologia terá de ser agregada á isso e não será simplesmente a TV Digital. O que o governo pretende, e já há tempos técnicos responsáveis e até o Ministro das Telecomunicações, Hélio Costa, indicam, é que seja usada a tecnologia do WiMAX como canal de retorno de informações do usuários. Isso porque o sinal recebido hoje em qualquer que seja a tecnologia televisiva, não permite envio de informações por parte do usuário, de forma interativa. Alguns decoders possuem linhas telefônicas instaladas para o envio de informações de cobrança, nada mais. O que não significa interatividade. Com o advento da TV Digital atrelado ao amadurecimento da tecnologia do WiMAX no país, estará, então, estabelecida uma verdadeira forma de inclusão na esfera digital.

Só que existe um outro detalhe pertinente á essa discussão. O Governo brasileiro, juntamente com a ANATEL, apregoa que sejam feitos leilões e compras de frequência que estimulem a concorrência. Um dos motivos para o adiamento do leilão de frequências do WiMAX, que era pre ter ocorrido ano passado, é que o Governo não queria que as teles que possuem o direito de operarem tecnologias de internet como ADSL, que hoje está nas mãos das redes de telefonia fixa, participassem do leilão, que seria aberto á outras companhias, para não haver o que chamam de propriedade cruzada, onde diferentes formas de prestação do mesmo serviço encontram-se sob poder de um mesmo grupo controlador. Concordo com tal decisão do Governo, que, com isso, pretende estimular a competição e a prática do preço justo, coisa que definitivamente não há, hoje, com o ADSL.

Porém, com um leilão onde, automaticamente, uma mesma empresa adquire direitos de oferecer tecnologias que competem entre si ocorrendo já no próximo mês, estaria o Governo preparado para solucionar essa questão sem um adiamento de meses ou até ano só pra resolver essa questão? Será que operadores de Tv á Cabo poderiam disputar tais frequências destinadas, até então, ao mercado de telefonia móvel? Como existirá, numa mesma proposta, a autorização de prestação de serviços que não são convergentes, onde um, na realidade, compete com o outro em questões técnicas e economicas, não daria isso, então, o direito de o detentor de tal frequência abrir mão da outra tecnologia, por não representar receita maior, ou, no caso da Claro, por a mesma já ter instalado tecnologia que, mesmo inferior, custou milhões aos cofres da empresa? Caso algo parecido ocorra, existe uma grande possibilidade de os compradores das frequências assumirem o total controle do avanço tecnológico do país, estando o Governo impossibilitado de realizar um novo leilão específico haja visto que o direito de operar em 3G, á partir da decisão do ITU lhe permite, também, operar em WiMAX, á sua vontade.

São respostas que veremos dentro de alguns dias. De qualquer forma, isso já é um avanço. Se tudo ocorrer da melhor maneira, sob o prisma do consumidor, muito provavelmente existirá uma ClaroMAX permitindo o cliente usar seu iPod Touch ou seu laptop enquanto trafega numa rodovia a 80km/h.


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