Retratação: a realidade por trás dos show em Copacabana

23 07 2009

Leitores,

eu sei que já não tenho vindo aqui, postar qualquer coisa, por já mais de um ano. Entretanto, hoje, recebi um comentário em um dos posts publicados lá em 2007, que valem a minha retratação e destaque, além de repensar algumas besteiras que eu falei, principalmente na caixa de comentários. E ele diz respeito ao que muitos desconhecem ou fazem pouco caso, quando se fala de shows gratuitos nas areias de Copacabana.

Quando em 2007, eu tratei da suspensão do Live Earth em Copacabana, eu entrei em terreno desconhecido, alegando algumas coisas e levantando uns questionamentos que hoje, 2 anos depois me foram respondidos. A gente muitas vezes lida de forma rasa a respeito de questões que estamos influenciados pela mídia, ou alguma outra força política através dela, que desviam nossas atenções. Não faltam exemplos de pessoas e situações que comprovem essa teoria. Eu, nesse caso, pouco sabia da consternação vivida por quem mora em Copacabana, por conta dos eventos promovidos por lá. Como disse, em resposta ao comentário, eu não estava completamente leigo quanto a isso. Só não enxerguei o problema com sua devida importância.

Reproduzo, portanto, em partes – e por vontade própria – o email da Cristina Reis, Presidente da Assossiação de Moradores dos Postos 2, 3, 4 e 5, em Copacabana:

Gostaria de esclarecer o que acontece por debaixo do pano em relação aos megaeventos musicais nas orlas de nossas praias. Todo o litoral ´que vai da Brisa Mar até a Ilha do Governador, é tombado como Área de Preservação Ambiental. Alguns pontos (ou praia) é considerado como Permanentes como a Praia de Copacabana. O que quer dizer isso protegida contra a degradação e depredação ambiental.
Voltemos aos megaeventos musicais. Não é só 2 ou 3 milhões que são gastos por conta desses eventos. Só um cantor estrangeiro ganha em média esse valor. Ou então, como as Empresas OMO e a CASA BAHIA que fizeram particulamente e gastaram em torno disso. Os megaeventos musicais chegam ao patamar de mais de 10 milhões ou mais. O do Rolling Stone chegou ao limite de 15 milhões de reais. Que incluem, o pagamento da área VIP, os organizadores, montagem do palco, gradeamento, agência de publicidade, dos convites, dos prestadores de serviços, da segurança privada, funcionários, tendas médicas, enfermeiros, médicos, empresas privadas de saúde, os banheiros químicos, quiosques novos e etc.

(…)

Entrei com a Ação a partir do primeiro show do Lenny Kravitz, em que antes não havia policiamento e estrutura suficiente para que você pudesse assistir ao Show sem problema.
Não pense Thiago, que as coisas rolavam a contento. Enquanto durava a música, tudo ia bem. O pior era no final do Show. O bairro de Copacabana virava a Terra de Malboro. Gang correndo atrás de polícia jogando pedra. adolescentes em coma alcóolico,  curras e estupros. Um  número sem fim de assaltos a mão armada, facadas, agressões  e furtos de celulares câmares digitais e filmadoras. Na delegacia filas e filas de pessoas para fazer Boletim de Ocorrência que ultrapassou para mais 400 delitos em uma única delegacia da região, em que um dos shows, o do Rolling Stone, durou quatro dias em que os investigadores tiveram que fazer plantão para atender as demandas mais recentes. (…)

Quanto ao AL Gore e o Live Earth (…) a Diretora do Meio Ambinete, Déborah, explicou-me a razão deles estarem alí. Eles não pediram a Prefeitura para fazer o evento na praia. O Prefeito Cesar Maia, é que se ofereceu. Mandou a sua irmã juntamente com o Presidente da Riotur ao exterior para fecharem o esquema com eles. Eles não gastariam nada porque a Prefeitura é que bancaria tudo. Se eles soubessem que uma pessoa não concordasse com evento na praia eles não viriam.  Ainda mais, por ter sido gratuito. Enquanto, todos os países cobravam a entrada. (…)

A Ação Coletiva com os abaixos assinados, fotos, filmagens foram uns vintes Inquéritos Civil de uns cinco anos até 2008 quando saiu o Prefeito Cesar Maia.
Por que no ano de 2009 com a atual Prefeitura a razão de não ter tido mais os megaeventos? Porque se houver algum desses megaeventos musicais, a Coca Cola, TIM, CLARO, AUDIORAMA quem são os maiores patrocinadores e interessados terão que ressacir o bairro de Copacabana na ordem de 1 milhão de reais por danos ao patrimônio privado que serão revertidos em projetos sociais. E isso eles não querem.

O comentário, na íntegra, da Cristina Reis, pode ser conferido na caixa de comentários do post relacionado.

Aos que se interessarem em ler, abaixo, reproduzo, na íntegra, minha resposta à Cristina Reis:

Oi Cristina Reis!

Pra começar, me desculpe por ter sido tão superficial quando tratei do tema, no blog que eu já nem atualizo mais. De qualquer forma, ele ainda está lá, e, portanto, ainda expõe a minha opinião que, sim, foi rasa, influenciada pelas jogadas de marketing de manipulação política. Não vou dizer que eu não soubesse de um ou outro dado a respeito de como ficava o bairro, no pós-show. Só que, sinceramente – e isso eu falo como porta-voz de todas as outras pessoas tão alheias aos fatos que você expos – parecia mais ser alguns casos isolados, alguma representação da incivilidade de alguns poucos. Nesse caso pra mim, distante, não parecia mais do que algum dado mínimo comparado ao ganho para a cidade. E lógico, estava errado nesse pensamento também. Como você bem expôs, a prefeitura não mediu esforços pra bancar essa imagem da cidade. E como consequência disso, mascaravam determinados problemas de forma a ampliar a publicidade que eles queriam alcançar. Não vou também achar que esse era um dano ao bairro que eles calculavam e esperavam, não estamos falando de nenhum “terrorista” no poder, mas, devo concordar que era uma forma de promoção, nas intenções que eles pretendiam, aliada a um descaso da opinião de quem realmente merece ter voz, que são as pessoas diretamente afetadas pelos transtornos.

Entretanto, Cristina, uma coisa me intriga: não desmerecendo nada exposto e tratado por você nessa mensagem, mas, mais por uma curiosidade, como fica a relação de vocês com o reveillón tradicionalmente promovido nas areias de Copacabana? Sim, porque os danos ao bairro são de mesma, ou maior proporção que os relacionados aos shows. Acho que dá pra eu ter uma idéia do que você vai me responder, analisando pela redução de palcos nas areias de Copacabana. Teria sido uma intenção de trazer menos pessoas pra comemorar a virada do ano no bairro?

Eu não sei, exatamente, uma fórmula pra aplicar mais civilidade aos grupos de pessoas que se reunem, pro evento que for. Tiro por mim, que não urino no portão da casa dos outros, nem faço das areias da praia de banheiro e creio que mesmo num show de 1 milhão e meio de pessoas, ao menos 95% das pessoas não promovem desordem. Mas os hipotéticos 5%, do valor que for, já fazem um estrago, e devem ser considerados. Acho que, pelo menos, uma ação de conscientização higiênica da população, como um todo, não num evento focado, traria mais benefícios pra cidade, em geral. Um exemplo disso, claro, salvo devidas proporções, sãos os concertos de música clássica promovidos pelo Jornal O Globo. Educação e civilidade não tem a ver exclusivamente com o erudito, com o seleto. Se todos soubessem, mesmo depois de um show Heavy Metal, retornar às suas casas de forma que não pertubasse aqueles que cederam seus espaços pra abrigar o evento, seria maravilhoso.

É um caso complicado sabe, Cristina. Tenho que admitir que, infelizmente, suas ações, atraves da AMA 2345 são mais eficazes em evitar isso, de imediato, do que a utopia de uma cidade mais civilizada, a curto prazo, dados os graves problemas de segurança que nossa cidade enfrenta nela inteira.

Como eu disse no início, já não atualizo mais o blog, mas, devido à seriedade com que foi tratado o tema por você, mesmo que eu já não tenha mais os leitores, nem eles o autor do blog publicando lá, vou destacar sua mensagem no corpo do texto publicado, e minhas devidas retratações.

Sinta-se, por favor, apoiada na sua causa Cristina!

Thyago Miranda





Cirque du Soleil volta ao Brasil em 2009!

4 03 2008

A temporada de ‘Alegria’ ainda nem terminou, e já se sabe qual será o próximo espetáculo do Cirque du Soleil que chegará às platéias brasileiras: Quidam.

Segundo a “Time4Fun”, empresa organizadora de eventos, também conhecida como CIE Brasil, que foi responsável pela vinda desses dois espetáculos do Cirque, a empresa já está em fase final do projeto executivo para trazer o Quidam ao Brasil, em 2009. Parece que falta pouco pra começar a parte de divulgação. Quando eu perguntei o motivo de ser em 2009 e não em 2008, no final do ano, eles me informaram ser por questões de mercado e pelo fato de precisarem de uma janela de tempo pra finalizar o contrato e as receitas de um espetáculo para então partir para o outro, que embora já tenha começado os preparativos, não poderá estar no Brasil esse ano.

Agora é só aguardar! Enquanto isso, dê uma olhadinha nesse vídeo do Quidam no Youtube:

Destaque para a trilha sonora do espetáculo, que também é ótima. Nesse vídeo, a faixa do álbum que é apresentada é a “Atmadja”.





O blog

4 03 2008

Eu sei que eu tenho ficado longos períodos sem postar nada aqui no blog, mas é que ultimamente eu tenho repensado o meu propósito com esse blog, que não é disputar atenção com veículos informativos maiores, nem ter a obrigação quase religiosa de buscar leitores-fiéis e mantê-los informados. Na verdade, quero continuar na informalidade de escrever aqui quando realmente eu achar que devo escrever algo.

Afinal, essa é a graça e a intenção de se manter um blog num serviço gratuito e sem cobrar nada aos leitores.





Wi-Fi no Rio: agora é a vez da Baixada Fluminense

27 01 2008

Muita gente torceu o nariz para o anúncio feito pelo Governo do Estado em que o mesmo se comprometeria com o projeto de levar Wi-Fi, primeiro, à Copacabana. Diziam ser projeto pra europeu ver. Tudo bem, se é projeto pra europeu ver, convide o próximo francês que desembarcar no Galeão a fazer uma visitinha amanhã, às 10h, em Duque de Caxias para o anúncio da chegada do projeto à Baixada.

É um projeto realmente fascinante. Como eu comentei quando veiculei isso aqui no Digo, isso era um tipo de projeto que eu jamais imaginaria por aqui pelo Brasil em tão pouco tempo, se comparado com o recente modelo implantado em Paris no ano passado. Porém, além de ter sido surpreendido com o avanço de tal medida promovida em pleno estado do Rio, dessa vez, no anúncio feito pela assessoria de comunicação do governo, eles têm o orgulho de dizerem com todas as letras que esse projeto trata-se de um dos maiores do gênero, no mundo. Pra ser mais exato, é o terceiro maior projeto de Wi-Fi gratuito no planeta, ficando atrás apenas de projetos na Cidade do México e na China. É ou não é impressionante?

Os detalhes exatos de como isso funcionará, sinceramente, acredito que só poderei saber na prática, quando estiver funcionando. O projeto, que visa levar essa conexão a todo o estado, ainda me gera algumas dúvidas no que diz respeito à cobertura efetiva de todas as regiões e, como consequência, a substituição de assinaturas convencionais de serviços banda larga.





Caçando as Pipas… Coisas do outro lado da Baía

22 01 2008

Pois é… realmente uma típica coisa desse outro lado chato, bem chato, digamos, um belo porre da Baía de Guanabara. Não bastasse esse lugar não ter tantas opções culturais como o Rio, o que não é nenhuma surpresa, afinal, a única cidade que faz frente ao Rio, é São Paulo, esse lugar aqui sofre de problemas cinematográficos.

Enfim, não bastasse esse probleminha, até contornável, Niterói ultimamente tem sido assolada pelo terror do cinema-bosta, cine-pipoca, blockbuster ou coisa assim. O “Caçador de Pipas”, por incrível que pareça, até faz sim o gênero blockbuster, embora seja um filme rodado com outro idioma, que não o inglês, ainda assim é uma cara produção norte-americana. Mas, o filme do Hassan não está em Niterói, assim como diversos outros filmes deixam de dar o ar de sua graça por essas bandas daqui.

“Se não for um filme acéfalo, não é visto” devem pensar os gerentes de cinema nessa região. O estranho é eles definirem essa visão grosseira justamente pra cidade de Niterói que é intensa consumidora de cultura. Numa cidade como São Gonçalo, por exemplo, infelizemente, até que esse pensamento faz sentido no único cinema da cidade, mas, Niterói?

Acho que já deveriam ter cortado as asinhas do Cinemark Plaza Shopping! Sua programação não é tão boa assim… Cadê o grupo Estação em Niterói hein!?





Transporte no Rio: 3 anos pra COMEÇAR a construir uma estação

22 01 2008

Eu não sei mais qual é o limite pra se sonhar com algo que faça uma revolução no transporte de massa no Rio de Janeiro, mas, quando esse limite é, desde sua criação, castrado de toda possibilidade imaginativa quando promovem projetos “realistas” a passo de lesma, não há mais o que se sonhar, esperar ou imaginar de um sistema como esse.

O Metro Rio, através de seu presidente, José Gustavo Costa, anunciou, dentre outras coisas, que a estação Uruguai, na Tijuca, terá sua construção iniciada em 2011. Dois mil e onze?!?! Mas essa estação é justamente a que menos pede investimentos, dentre quaisquer outras que possam ser construídas: o túnel dela já está pronto. O que precisa-se fazer, sim, é a estação em si, que responde pela menor parte do investimento, já que não haverá perfuração para implantação dos trilhos.

Não querendo imaginar nada absurdo, mas o mínimo possível, seria gastar energia demais querer imaginar quando o metro carioca chegaria no Leblon… quando na verdade o projeto inicial da linha 1 era fechar um anel, levando o metro desde a Tijuca até a Gávea e, fechando assim o círculo, fazendo uma ligação direta entre esses dois bairros sob a Floresta da Tijuca.

Com uma estação a cada 5 anos, já temos na fila General Osório, Cidade Nova e Uruguai até 2014… metro no Leblon ou na Gávea, só pra década de 20 ou 30 né?!





Ônibus a hidrogênio no Rio

18 01 2008

A COOPE (Coordenação de Programas de Pós-graduação em Engenharia da UFRJ) está desenvolvendo um programa para implantação de veículos movidos a hidrogênio em seu laboratório especializado em estudos aplicados ao hidrogênio.

O projeto, que é financiado pela FINEP e pela Petrobrás, desenvolveu um ônibus motorizado com essa tecnologia com custo do protótipo 50% menor que o protótipo desenvolvido pelos europeus. O novo ônibus terá autonomia de 300 km e não é poluente, além de gerar menos ruído.

Acho que teremos um bom avanço no sistema de transporte, se depender das pesquisas feitas pela UFRJ. Realmente a instituição está de parabéns. Vale lembrar que é dela o projeto bem-sucedido do biocombustível, e, um menos comentado mas com grande potencial, é o caso do desenvolvimento do trem por levitação magnética, que já existe no Japão e na China, mas, que a universidade carioca conseguiu desenvolver com tecnologia nacional.